Alex Calatayud: do quintal goiano aos palcos internacionais
Alex Calatayud é percussionista, nascido em Goiânia-Goiás e radicado há mais de trinta anos em São Francisco, na Califórnia-EUA.
Descendente de uma linhagem musical por parte de pai e de mãe, cresceu imerso em um ambiente onde a música sempre foi um elemento essencial e ancestral.
Filho caçula de Dona Eva — mulher admirada por sua sabedoria, força, e perseverança —, ela aprendeu a tocar percussão de forma autodidata, apenas ouvindo, cantando e observando as festividades familiares que estava presente. Uma mulher alegre e grata pela vida que lhe foi concedida.
Seu pai, Gregório Calatayud, músico e joalheiro de origem boliviana, foi um homem que carregava consigo a alma e a riqueza cultural de seu país natal. Ao unir suas raízes bolivianas à vibrante cultura brasileira, contribuiu para que muitos corações pulsassem ao ritmo de sua música, legado que Alex honra e perpetua com sua arte.
Desde cedo, Alex cresceu imerso em um ambiente onde o samba, o pagode, a Música Popular Brasileira (MPB), o choro e o bolero eram parte do cotidiano. As rodas de quintal serviram como escola, moldando seu ouvido musical e construindo sua identidade artística ainda na infância. A música era mais do que lazer: era elo, era linguagem, era pertencimento. Algo que ele só conseguiu entender na vida adulta ao refletir sobre a sua história e a história da sua família e como essas narrativas fazem parte de um contexto mais amplo envolvendo outras vidas e sonhos.
Durante a adolescência, Alex dividia sua rotina entre o trabalho com o pai, os estudos e as apresentações musicais em família nos fins de semana. Era um jovem inquieto e sonhador, sempre em busca de novos horizontes. Essa inquietação encontrou espaço em junho de 1994, quando, aos dezenove anos, decidiu seguir os passos dos irmãos Marcos e Márcio, mudando-se para São Francisco, nos Estados Unidos.
Nos EUA, os três irmãos formaram o grupo Entre Nós, ativo de 1995 a 2000, dedicado à divulgação da música brasileira em solo americano. Foi uma fase intensa, marcada por shows, festas e eventos culturais que percorriam diversos estados. Essa vivência estreitou o vínculo de Alex com os Estados Unidos, permitindo-lhe conhecer e se conectar profundamente com os costumes e sonoridades da América do Norte. Com o tempo, ele passou a atuar como um verdadeiro elo de intercâmbio cultural entre Brasil e EUA, levando e trazendo influências musicais de forma orgânica e criativa.
Em 2001, buscando novos desafios, Alex passou a integrar o grupo Boca do Rio, liderado pelo guitarrista e cantor norte-americano Kevin Welch. A banda uni samba-soul, funk e jazz, resultando em um som contagiante que conquistou notoriedade em palcos importantes como High Sierra Music Festival, Oakland Art & Soul, The Fillmore, The Great American Music Hall e Hollywood Palladium.
Versátil e dedicado, Alex construiu uma sólida carreira na Califórnia, dividindo palcos e estúdios com artistas de diferentes vertentes musicais. Entre eles, destacam-se nomes como Mary Fettig, Marcos Silva, Ricardo Peixoto, John Santos, Carlos Oliveira, Márcio Bahia, Mário Sérgio (Fundo de Quintal), Wayne Wallace, Larry Vuckovich, Los Van Van, Zigaboo Modeliste, Toninho Horta e Leny Andrade, Bororó Felipe, Fabiano Chagas, Luiz Sardinha, Jader Gomes, Jader Steter, Júlio Epicacci, João Garoto, Xexéu- noys é noys, Wellinton Santana, André Luiz, Mateus Guerra, Fred Vale, Mara Cristina, Beaju, Luciana Clímaco, Grace Venturini, Regina Jardim, Emídio Queiros, Ricardo de Pina, Márcia Jacomo, Sarah Cabral, Gustavo Ribeiro, Manácezio Aragão, Cláudia Garcia, Soila Steter, Danilo Verano, Hulk Pontes, Júlio Lemos, Everton Luiz, Juninho Bass , Fernando Boi, Luiz Max, Marco Lima. Em cada colaboração, Alex imprime sua assinatura sonora: um groove marcante e autêntico, com raízes profundas no cerrado goiano.
Atualmente, Alex está estabelecido em Sacramento, na Califórnia, onde se divide entre gravações e turnês internacionais. Em cada projeto, ele mantém viva a essência de sua formação musical, conectando o batuque do samba, a delicadeza do choro e a cadência do pagode com as sonoridades vibrantes do jazz e do funk californiano.
Mais do que um percussionista, Alex é um artista que transita entre culturas com naturalidade e sensibilidade. Em cada projeto, Alex entrelaça samba, choro, pagode e a expressividade do bolero, jazz e o funk californiano. Sua trajetória mostra que a música é um idioma universal — capaz de unir povos, resgatar memórias e construir pontes. De Goiânia à grandes palcos do mundo ele segue celebrando a diversidade que o formou e mantendo viva para as novas gerações a batida que ecoa sua história.
Por Vanessa Andrade
Visite o site da Banda Boca do Rio:
https://www.bocadorio.com






